
A casa não se configura no espaço apenas como a edificação de paredes e pisos. Mesmo como estrutura objetiva, ela abriga a subjetividade e o imaginário de quem a habita, arquiteta as memórias e os afetos, confere-lhes significado e revela a materialidade da identidade individual ou coletiva. O corpo também é morada, a primeira que se habita no mundo, onde se acomodam os anseios e os conflitos. O ato de morar acontece, dessa forma, tanto no campo concreto como no psíquico, e é representado aqui na sua dimensão poética no formato de um livro-objeto.
O objetivo deste projeto é explorar as potências expressivas acomodadas silenciosamente nos gestos e na execução dos trabalhos dentro do ambiente doméstico. A metodologia do trabalho consiste em experimentações analógicas e digitais realizadas com base na investigação do arquivo pessoal da autora sobre a casa de sua própria família. O processo de criação também é entendido, aqui, como o próprio objeto de exploração.
As fronteiras entre a arte, o design e o artesanato foram questionadas como meio de capturar e expandir os sentidos poéticos dos temas abordados. Espera-se proporcionar ao espectador, por meio da experiência visual, respostas sensíveis que, por sua vez, estimulam o sentimento de auto-identificação, o processo imaginativo sobre o morar e a criação de novas percepções sobre os temas família, memória, herança e saudade.
A dialética entre o material e o imaginário confere ao trabalho uma qualidade multidimensional, o que dialoga, mais uma vez, com as fronteiras entre a arte, o design e o artesanato. Os autores que darão suporte teórico às minhas experimentações são Tim Ingold (2012), Gaston Bachelard (1993) e Didi-Huberman (2012).
Trabalho apresentado na 11ª SIAC – Semana de Integração Acadêmica da UFRJ – 2022 com a orientação da Profa. Irene Peixoto.