

Gabriel Alcântara Acioli de Matos, ou Gabor Gaba, como prefere ser chamado, parece ter sido contemplado com um raro dom de distração onírica. A exemplo dos mestres da pintura e da literatura que se faziam acompanhar de pequenos cadernos nos quais anotavam seus devaneios inspiradores de possíveis grandes obras futuras, Gabor vai além, oferecendo nova dimensão a essas pequenas joias de pensamento – em forma de brochuras. Os esboços ali contidos passam a ocupar o lugar da própria obra de arte.
Podemos dizer que o processo inesgotável do ato de desenhar se expande na escrita sensível dessa chama, que anima a “fragrância das poesias ocultas do cotidiano”.
Nas palavras do artista: “me propus, ao longo dos últimos anos, trazer para o campo das investigações teóricas e práticas meus próprios cadernos, desenhos e registros que, até então, ainda eram o “obscuro pré-mundo”. O trabalho de Gabor reflete de certa forma o pensamento de Agamben, quando escreve sobre o lugar “antes do livro”: um “submundo de fantasmas, rascunhos, anotações, cadernos, esboços, cadernetas, aos quais nossa cultura não consegue dar estatuto legítimo”.
Sua formação como gravurista aliada ao apreço pela técnica expressa na confecção de seus próprios cadernos colabora para sua aproximação com o design enquanto espaço híbrido para experiências sensíveis com a forma.
A exposição “Por uma poética do esboço”, na galeria virtual Olhos de Ver, é mais uma ação virtual do grupo de pesquisa Arte, Design & Vida. Os trabalhos apresentados foram desenvolvidos pelo artista ao longo do seu mestrado em Artes Visuais (PPGAV/UFRJ) no período de 2019 a 2022 com a orientação da Profa. Irene Peixoto.