

A disciplina “Design na Fronteira com as Artes Visuais,” oferecida no curso de Comunicação Visual Design da EBA/UFRJ, faz parte do projeto de pesquisa “Correspondências Metodológicas e Poéticas entre as Artes Visuais e o Design Visual,” em andamento no Grupo de Pesquisa Arte Design e Vida, e tem por objetivo ampliar os modos de criação no design e na arte através da colaboração produtiva entre essas disciplinas.
A partir da noção de “emaranhados,” concebida por Ingold, na qual todo o fazer é movimento e está sempre em processo de transformação, adotamos a improvisação como método. A prática da improvisação não descreve relações entre uma coisa e outra; são linhas ao longo das quais as coisas são continuamente formadas. O designer, ao compreender a sua prática projetual não apenas como predeterminação, mas também como improvisação, aprende a imaginar a vida e a perceber os movimentos de transformação capazes de criar e modificar tudo o que existe, inclusive a própria mudança.
Segundo Ingold, “realizar uma antropologia com arte é corresponder ao seu próprio movimento de crescimento ou devir, em uma leitura que avança ao invés de recuar, e seguir os caminhos aos quais nos conduz.”
Sendo assim, argumentamos que realizar um design em correspondência com a arte significa que o projeto em design não se limitaria ao alcance de um resultado, porque ele nunca estaria totalmente concluído, podendo evoluir em usos extraordinários, dando continuidade aos processos de transformação contínua tão inerentes à vida.
Inspirados nesses conceitos, esta exposição apresenta um conjunto de livros de artista, uma plataforma expressiva comum entre artistas e designers, com a intenção de promover discussões sobre o potencial poético do pensamento projetual em design.
Profa. Irene de Mendonça Peixoto – EBA/UFRJ