Gabor Gaba

Porcelana

“Não sei se Porcelana é caderno, livro, diário ou uma coisa-mutante que se transforma toda vez que é manuseado, como no caso dos livros de artista. A princípio, é apenas uma série de sketchbooks, no sentido mais amplo e na tradução mais literal da palavra: um lugar para rabiscar, porém não apenas para estudos.
Trata-se de um espaço para fluir e esvaziar-se, sem resistir às obsessões. Eis o reduto da minha obstinação pelo desenho, tanto como linguagem quanto como expressão de vida, formando identidades. Não é um projeto que visa chegar em algum lugar, mas um processo contínuo, que perdura enquanto houver o devaneio.
Por isso, admito que, no fundo, não saberia dizer se Porcelana é ou não um livro-caderno de artista. Talvez o seja em alguma medida, mas o que importa é apenas que ele exista e possa continuar em acontecimento, um lugar para desenhar por desenhar, algo como um organismo vivo que dialoga a partir do caos que movimenta e transforma o pequeno universo que existe no interior do meu espírito desenhista.”

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