Matéria e Errância:

um resgate do gesto criativo no design

O design, entendido como um campo dinâmico e interdisciplinar, possui fronteiras fluidas que se expandem diante das transformações sociais, culturais e econômicas. Nesse contexto, o avanço industrial e tecnológico dos últimos séculos foi responsável por afastar o indivíduo criativo da sua profundidade artística e subjetiva. Sob essa ótica, este trabalho propõe uma reflexão teórica sobre os limites sinuosos entre o design e a arte, colocando a figura do designer-artesão como agente poético e sensível na prática projetual contemporânea. A pesquisa parte da crítica à separação histórica entre concepção e execução, promovida pela Revolução Industrial e consolidada a partir dos paradigmas modernos do design, e questiona os valores cristalizados que empobreceram a prática criativa ao longo do tempo. Nesse cenário, a prática do design pode se aproximar de abordagens mais subjetivas e improvisadas, resgatando a experiência como base do conhecimento e da criação. Esta pesquisa adota como metodologia a revisão bibliográfica de autores como Tim Ingold, Richard Sennett, Byung-Chul Han, Jorge Larrosa Bondía e Rafael Cardoso.

A proposta prática consiste no desenvolvimento de um projeto editorial de uma publicação impressa a partir da aplicação de uma abordagem prática-exploratória inspirada nas proposições de Ingold (2022). A publicação, por sua vez, representa gráfica e textualmente os temas abordados na pesquisa teórica a partir de um projeto gráfico menos acadêmico e mais acessível que busca ampliar o alcance da discussão. Este trabalho prático assume o processo de criação como forma de pesquisa em si, buscando uma relação direta com os materiais e com a sensibilidade do fazer. Em vez de seguir uma lógica acadêmica tradicional e hipotética-dedutiva, a pesquisa visual se constitui como experimentação aberta, que interroga os próprios fundamentos do conhecimento formal.

O estudo identifica que o contato direto com os materiais, somado ao gesto corporal e ao pensamento encarnado, restaura o vínculo entre sujeito e criação, permitindo a emergência de uma criatividade mais autêntica, contemplativa e subjetiva. Conclui-se que o designer-artesão simboliza uma prática que integra técnica, intuição, sensibilidade e pensamento crítico, resgatando a dimensão poética do design e posicionando-o entre suas sinuosas barreiras com os campos da arte e do artesanato.

A Errográfica é uma publicação de 28 páginas, impressa em papel Vergé 120g.
A Capa é composta por uma sobreposição de papel vegetal 75g impresso e papel Color Plus 180g.

Veja o PDF do trabalho completo nesse link.
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