
Esta dissertação desenvolve uma investigação teórico-prática sobre o livro como artefato expandido, examinando seus desdobramentos quando deslocado do modelo tradicional para um campo experimental. Partindo do tema mítico do dragão-baleia — termo utilizado por Nise da Silveira, no livro Imagens do inconsciente (Silveira, 2015), para abordar variações do mito do herói engolido por um monstro —, o estudo explora como essa narrativa aparece em diferentes culturas e como se mantém presente no imaginário coletivo. Nesse horizonte, o livro é compreendido para além de um suporte de leitura: como plataforma sensível que tensiona sua própria materialidade e propõe pensá-lo como um artefato tridimensional poético, borrando as fronteiras projetuais entre arte e design. Apoiando-se nos conceitos trabalhados por Bachelard em A água e os sonhos (Bache-lard, 2018) e na noção de “fazer”, proposta por Ingold (Ingold, 2022), apresenta-se uma metodologia qualitativa teórico-prática baseada em experimentação, documentação e análise reflexiva. Como resultado, são realizadas e discutidas explorações visuais e construtivas que investigam a materialidade do livro e a ideia de “engolir” o leitor, concebendo-o como um espaço poético sobre vida, morte e renascimento — um ciclo de dores, aprendizado e crescimento. Por fim, a pesquisa propõe gerar e analisar experimentações visuais, utilizando o objeto livro como plataforma expressiva e enfatizando a dimensão corpórea, simbólica e afetiva da expe-riência, guiada pelo fio condutor do tema mitológico do dragão-baleia.
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