
Possíveis caminhos por entre bolhas: fragmentos de Zaratustra para o Brasil hoje é uma narrativa experimental abarcada por um objeto editorial que se aproxima de um livro-objeto, em que trechos do livro Assim falou Zaratustra: um livro para todos e para ninguém, escrito por Friedrich Nietzsche em 1883, foram selecionados e reorganizados de modo a enfatizar ensinamentos e críticas à sociedade que são pertinentes ainda hoje à população brasileira. Com os subsídios teóricos de Deleuze & Guattari, para quem um conceito é sempre múltiplo e uma obra de arte é composta por um híbrido rico de sensações, e de DiSalvo, em que o design pode tomar para si o papel de contestador de mundo ao representar e tornar públicas complexas condições políticas de sociedades contemporâneas, foi traçado um paralelo entre as ideias de Nietzsche e o comportamento da população brasileira de modo generalizado, no qual pensamentos são reforçados por outros a seu redor e o conflito apenas existe para desqualificar e eliminar o outro. Este cenário, de pouca discussão e aprendizado, serviu como base para colocar em foco esse comportamento por meio de fotos de eventos políticos importantes e declarações escritas retiradas de redes sociais exibindo ódio contra o opositor. A narrativa é também construída por experimentações tipográficas que trazem na memória a poesia concreta, tirando partido do momento contemporâneo de maior liberdade projetiva no campo do design.