Trânsito livre entre as esferas do pensar e do sentir: o artista como filósofo

Ana Mansur e Celso Pereira

Este artigo trabalha para lançar luz sobre um papel especial da experiência da arte: aquele que vislumbra o artista como um emissor de postulados de certa forma, filosóficos. Para isso, é importante considerar o papel do espectador como possível de ser projetado retrospectivamente à mesma posição do artista, submetendo-se à mesma lei que ele quando do momento da criação. Com esse trabalho, examina-se o paradoxo de que, apesar de ser uma espécie de convocação junto àquele que experimenta a arte, esse movimento não tem como ser infringido. O encontro com os afetos que emanam da maior parte das obras de arte da contemporaneidade em nada autorizam o espectador a se posicionar criticamente sobre elas, mas praticamente o convocam a tomar esta atitude. Dessa forma, esse lugar vasto para onde o espectador é transportado através do encontro com a obra precisa emergir a partir daquele que a experimenta, e não a partir do artista. Neste caso, o artista nasceria da arte, e não o contrário. É o que De Duve chama de anartista, ao invés de anti-artista. Este sujeito que se apresenta é aquele da experiência estética, em que fazer e apreciar arte são as mesmas coisas. De certa forma, o que acontece é uma espécie de convocação a todos no sentido de acessarem sua já existente imaginação produtiva. Desta forma, é analisado um espaço poético de um novo modo de ver, que une o sentir ao pensar. Interessa nessa discussão aproximar arte e vida, porém não no sentido de rebaixar a arte diluindo-a na vida comum. Como em Duchamp, é o inverso que ocorre: o movimento acontece no sentido de potencializar a vida comum com o que seria a experiência da arte.

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